Surge o mito.

Linhas esportivas, rápidas e marcantes, tipicamente americanas.

Essa era a primeira impressão do público brasileiro ao conhecer o mais novo modelo Ford produzido no Brasil.

Maverick.

Símbolo de uma geração apaixonada pela velocidade, o Maverick traduzia em velocidade sua imagem de pony car.

O rei das pistas, derrotava os inimigos sem piedade. Massacrava a concorrência que, de longe, observava aquele carro incrível sumir à sua frente.

Talvez o mais famoso deles tenha sido o Maverick Berta da equipe Hollywood, que correu pelo Brasil por apenas dois anos, 1974 e 1975, mas deixou sua marca nos admiradores de bólidos insanos e absurdamente poderosos.

O Maverick Berta Hollywood corria na chamada Divisão 3 do automobilismo, categoria com preparação praticamente livre.

Preparado pelo argentino Oreste Berta, usava cabeçotes diferenciados, com quatro carburadores Weber parafusados diretamente sobre ele, o que dispensava o uso de coletor de admissão no motor 302 V8.

Quatrocentos cavalos rugiam ferozmente, contornando a curva 1 de Interlagos a mais de 200 km/h, de pé embaixo, sem nenhuma sombra de adversários por perto.

Motor e câmbio deslocados para baixo e para trás, melhoravam o centro de gravidade do carro, junto com um eixo traseiro mais largo, seguravam o monstro e impulsionavam toda aquela cavalaria.

Talvez a característica mais marcante do Berta fosse sua bitola traseira larga, com os paralamas e caixas de roda alargados para acomodar os gigantes pneus slick de formula 1, que garantia que nenhum cavalo do motor ficasse “sem tocar suas patas no asfalto”.

Um enorme aerofólio montado na traseira ajudava a segurar o carro em velocidades mais altas, e o spoiler dianteiro cumpria a função de rasgar o ar de frente, mantendo sua estabilidade.

Venceu os 500 km de Interlagos de 1974, pilotado por Tite Catapani, e em 1975 foi domado por um dos melhores pilotos da época, Luiz Pereira Bueno.

Era um carro especial, difícil de ser conduzido, e embora tivesse vencido diversas corridas não chegou a ser campeão das divisões que participou.

Porém, nada disso apagou da memória dos apaixonados aquela imagem de um monstro veloz, de linhas agressivas e poderosa cavalaria.

Marcou uma geração do automobilismo brasileiro, que fazia de tudo pela vitória, inclusive arriscando a própria vida para subir no degrau mais alto do pódio.

Após seus anos de glória, Berta migrou para o sul do país, onde foi remodelado, e disputava a categoria Hot Cars do automobilismo gaúcho.

Foi resgatado e restaurado, mantendo suas características da época em que era o melhor carro de corrida do Brasil, e hoje repousa sereno junto a outros grandes carros da história no Museu do Automobilismo Brasileiro, na cidade de Passo Fundo, Rio Grande Do Sul.

Seu legado jamais será esquecido pelas pistas e corações por onde acelerou.

*Publicado originalmente no site Guia Dos Antigos

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Sobre lombardi13

Sobrevivendo a mim mesmo na Infernal São Paulo.
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