Nó de fumaça.

Ele tocava violão na esquina.
Roubaram seu violão.
Ele me pede um cigarro.
Digo que não tenho.
Minto.
Minto mesmo, e daí?
Só tenho oito, vai me fazer falta logo mais.
Quem sabe quando eu mais precisasse, teria acabado.
Não dei mesmo.
Não vou dar, não adianta ficar olhando.
Ele vai almoçar alí mesmo, na calçada.
Comida doada.
Seca.
Sem Tubaína.
E o que ele vai fazer depois de comer?
Sem o violão?
Sem o cigarro?
Sem nada.
Fumar depois de comer é um vício dentro do vício de fumar.
Coisa boba, ninguém percebe.
Coisa boba todo mundo faz.
Não dei o cigarro, mas dei um Real.
Tubaína ainda não dá câncer, eu acho.

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Sobre lombardi13

Sobrevivendo a mim mesmo na Infernal São Paulo.
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