O maior de todos.

Se não foi o maior, talvez o melhor.
Pelo menos pra mim, e é isso que importa.

Nelson Piquet Souto Maior.

Ou apenas Nelson Piquet.

Lembro de assistir corridas de fórmula 1 desde que me conheço por gente.
Minhas memórias mais antigas me levam aos 3 anos de idade, em 1983, onde o programa era o camping com a família desde o Sábado, uma eventual luta de Mike Tyson pela madrugada, as corridas no Domingo pela manhã e o gran finale com Os Trapalhões.

Durante os finais de semana, admito nunca ter sequer sonhado em seguir carreira como piloto ou coisa parecida.
Eu preferia sonhar em ganhar um autorama, da série Senna x Piquet, só pra dar um pau no Senna.

Sempre preferi Piquet. Achava o cara sangue quente, brigão, respondão, nada a ver com o que representava Senna, o bom moço.
E olha que eu era muito tímido, e mais puxado pro bom moço.

Talvez a gente se inspire naqueles que sejam diferentes, tentamos nos ver na pele daqueles que fazem o que gostaríamos de fazer, sei lá. Faltei na aula de psicanálise.

O que eu sei, é que sempre admirei muito o cara. Numa época sem acesso às informações de bastidores, revistas e sites especializados, sobrava pra mim o que se via pela televisão.

E o que eu via era a imagem de um cara ranheta e vencedor, daqueles chatos que só param após ganhar a discussão.

Meus ídolos na fórmula 1 eram Piquet e Eddie Cheever (que em 1989 acenou pra mim quando bateu sua Arrows em Jacarepaguá, bem em frente à arquibancada em que eu estava com meu pai e meu tio, assumindo a imediata condição de ídolo pra uma criança)

Detalhe, entramos sem pagar, misturados no meio de um bando de turistas japoneses.

Cresci, deixei de ser tímido (por outras razões, é verdade), o camping tornou-se demasiado chato pra um adolescente, primeiro Mussum, depois Zacarias, Mike caiu, mas jamais deixei de assistir as corridas.

Nem mesmo depois daquele marcante “Senna bateu forte”.

Toda essa volta se faz presente pra mostrar uma foto.

A primeira miniatura que montei com mais carinho e vontade, a primeira que comprei com meu próprio dinheiro, montada sobre a mesa de jantar da minha própria casa, com minha esposa ao lado.

A minha vitória pessoal foi celebrada com essa miniatura, do carro mais bonito de todos os tempos, pilotado pelo cara que mais admiro no automobilismo.

* Em tempo. O autorama nunca veio, talvez nunca venha, e se vier, acho que vai dar empate.
Tá bom, não vai dar empate.
E a mini está meio baleada após um grave acidente com a Ferrari do Berger no GP aqui de casa.
Não me pergunte como.

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Sobre lombardi13

Sobrevivendo a mim mesmo na Infernal São Paulo.
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11 respostas para O maior de todos.

  1. Celso Vedovato @celsovedovato disse:

    Comigo não era diferente. Sou de 1975, Piquet começou a ganhar tudo quando eu tinha 6, 7 anos, tenho muitas lembranças da época e, todas do tri de 87, quando tinha 12 anos e já podia ir sozinho a banca de jornal comprar a revista Grid da época, eram revistas poster e colecionei cada uma, eram o meu tesouro.
    Naqueles anos de Brabhan, só o Corínthians e Sócrates eram páreo para minha idolatria por Piquet. Minha escrivanhinha de estudo tinha fotos dos carros do Nelsão sob o vidro, a porta do meu quarto, adesivos feitos com papel contact e meu carrinho de rolemã, as cores do carro do Tri, tudo feito com as minhas tintas guache, cuidando para fazer o azul, o amarelo e até os patrocínios da William´s turbo.
    Até hoje é o ídolo que tenho nas pistas!
    Abraço Lombardi.
    Celso

  2. Xará, que espetáculo de texto. Fantástico. Vou reproduzir com crédito e orgulho no Esporte Fino, posso? Abraço!

  3. Fred disse:

    Belo texto, me fez lembrar da minha primeira vez em um autódromo, foi lá 1983 em Jacarepaguá com o mesmo Piquet vencendo e não levando por causa de um artifício no carro !
    Abs

    • Marcelo (1 Carioca em SP) disse:

      E em 1981 foi a minha primeira vez na F1 “in loco” em Jacarepaguá. Piquet (pole) foi o único a tentar largar com pneus slick na pista úmida, patinou na largada e a corrida foi vencida pelo Carlos Reutemann. No mesmo ano foi campeão.

      Apesar do meu primeiro autorama ter sido Fittipaldi (sou um pouco mais velho), Piquet foi o grande responsável pelo meu vício em acordar cedo aos domingos de F1.

      Grande texto, Lombardi!
      Abraço.

  4. João Gabriel disse:

    Muito bom esse texto. Meu pai sempre fala essas coisas do Piquet. Vou mostrar esse texto pra ele.
    Parabéns. Abraços

  5. Comecei a frequentar Interlagos com 17 anos vendo o Piquet na Super Vê, e com muita expectativa acompanhei sua carreira na Europa, sabendo do seu potencial de vencedor.
    Considero o melhor pelas circunstâncias de vencer as adversidades e sua genialidade.
    Abraço

  6. D.Pierotti disse:

    Parabéns. Belo depoimento.

  7. Leone disse:

    Bom, posso dizer que sou um cara de sorte…
    Tenho idade para ter visto, Emerson e Piquet… Não vou mentir a vocês, eu só comecei mesmo a prestar atenção no Piquet, quando o Émerson saiu da categoria…
    Antes disso era Deus no céu e, Emerson na terra…

    Mas, em compensação, curti muito mais a trajetória do Piquet…

    Salve, Fittipaldi e Piquet!!!

    P.S.: Admito tambem, que Senna foi um fora de serie, mas, não mudo a bandeira.

  8. Carlos A. Burza disse:

    Eu nunca torci por eles. Mas fui muito influenciado pela imprensa contrária ao Piquet. Hoje vejo que os torcedores do Piquet tinham razão. Os do Senna também. Mas o Piquet era fogo. Tinha raça. Aquele passão no Senna na Hungria, por fora, foi memorável. Na verdade ele não perdeu pro Senna. Na disputa direta ele sempre chegou na frente. Hoje tenho plena convicção que não se deve confiar plenamente nos muito bonzinhos e sei também que é difícil o papel de vilão. Mas este último é sempre muito mais autêntico. parabéns pelo blog.

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