1º Raid Da Integração Nacional

Maverick, Corcel e Belina. Prontos para a aventura.

Em Novembro de 1973, o Brasil ainda estava desenvolvendo sua malha viária, cercado de florestas e caminhos tortuosos pelo interior do Norte e Nordeste.

Numa ação de marketing ousada, que aproveitava o nacionalismo estimulado de forma exacerbada daquela época, a Ford promoveu o 1º Raid da Integração Nacional.

Seria um feito de proporções épicas, uma verdadeira expedição à todas as capitais de estado do país, onde três carros da linha Ford seriam os “integradores”, um Corcel, uma Belina e um Maverick, que deveriam percorrer quase vinte mil quilômetros.

Anúncio impresso RAID.

Com início em oito de Outubro de 1973, em Arroio Chuí, Rio Grande Do Sul, os três carros começaram a jornada atravessando os estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, até chegar em Rondônia.

De lá, foram para o Acre e retornaram a Rondônia, onde retomaram caminho para o Amazonas pela rodovia Porto Velho – Manaus, ainda em construção.

Começava a parte mais difícil da aventura, pois a caravana tinha que enfrentar diversos trechos em estradas de terra sem nenhuma infra-estrutura.

A chuva havia castigado a região, e os carros do Raid foram verdadeiros desbravadores, atravessando alagamentos, lamaçais, rios onde não haviam pontes, chegando a levar 6 horas para percorrer um trecho de apenas cem quilômetros, tamanha a dificuldade do trajeto.


Maverick Super Luxo, seis cilindros, freios à tambor nas quatro rodas.

Restava cruzar a maior promessa do governo militar, a Rodovia Transamazônica.

Estrada de terra, até hoje inacabada, a Transamazônica deve ter sido um grande transtorno, bem como havia sido a Porto Velho – Manaus, mas, talvez para não desagradar o governo, pouco se fala sobre esta parte do trajeto, a não ser que cruzaram trechos pioneiros, e ainda rasgam elogios às seis pistas da rodovia na região de Altamira, e o enorme trânsito no local, tentando valorizar a obra e jogar sobre ela uma importância exagerada, mesmo sem nenhuma condição de tráfego ou previsão definitiva de término das obras.


Vencida a Transamazônica, o Raid chegava a Belém, tendo percorrido cerca de dez mil quilômetros desde a partida.

Dalí pra frente, a viagem seria tranquila, por estradas asfaltadas do litoral do Nordeste e do Sudeste, que incluíam Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo, Rio De Janeiro, Guanabara e Minas Gerais.

Era a rota do turismo, do desenvolvimento do país e suas estradas maravilhosas, do ame-o ou deixe-o, e de todo o potencial de crescimento do “país do futuro”.

Durante a viagem, a caravana visitava a capital de cada estado, e entregava ao seus representantes uma carta escrita pela diretoria da Ford, com os seguintes dizeres:

“Senhor Governador, seu país está sendo integrado.”

Cada representante de estado respondia com outra carta, que seria levada pelos pilotos do  Raid até as mãos do presidente do Brasil, na capital federal.

Os carros percorreram 16.755 quilômetros em apenas 24 dias, e chegaram à Brasília no dia 31 de Outubro, levando as cartas dos governadores e fechando o circuito do Raid que passou por todas as capitais de estado do Brasil.

A Ford não podia deixar passar o evento, e veiculou um anúncio impresso nas grandes revistas do país, glorificando os feitos do Maverick, o mais novo lançamento daquele ano.

Anúncio de época.

Quem pilotava o Maverick Super Luxo da expedição era ninguém menos que Luiz Antônio Greco, um dos maiores chefes de equipe do automobilismo brasileiro, tendo gerenciado os melhores pilotos e os melhores carros de competição até então, como a imbatível Equipe Willys.

Greco seria o chefe da Mercantil-Finasa-Ford, equipe oficial da fábrica em competições, com seus belos Mavericks correndo nas divisões 1 e 3 do campeonato brasileiro, à partir de 1973.

* Agradeço imensamente à querida Adriana Greco, que cedeu algumas das fotos que ilustram essa aventura, bem como alguns dos fatos que eu jamais saberia sem a sua ajuda.

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Sobre lombardi13

Sobrevivendo a mim mesmo na Infernal São Paulo.
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3 respostas para 1º Raid Da Integração Nacional

  1. Joao Victor disse:

    Parabéns Lombardi!
    Texto super bem escrito de um momento bem documentado mas que caiu no esquecimento.

  2. Ingryd Lamas disse:

    Post fantástico!
    O Corcel é mesmo um pitélsinho né cara… Nada contra o Maveco, viu!? hahahahah
    Dri, beijo procê! =D

  3. Duvido que um Ka e/ou um Fiesta fizessem isto hoje.
    Ótimo post!
    Abraço.

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