Zóio Largo.

E vejo no Jalopnik, em artigo do amigo Juliano “Kowalsky”, que o presidente da FBVA, Federação Brasileira de Veículos Antigos, é contra o projeto enviado ao Contran que pede a criação da placa amarela especial para veículos com mais de trinta anos de fabricação.

Esses veículos, hot rods, réplicas, motos e triciclos artesanais, seriam beneficiados com, por exemplo, isenção da inspeção veicular e outras exigências do código de trânsito.

Velhotes ricos mascaram seu verdadeiro interesse: recolher as taxas da inspeção para obtenção da placa preta para veículos de coleção.

O “clube do frisinho”, como são chamados, desdenha de qualquer carro que não seja uma raridade absoluta, que custe milhares de dólares e que não faça parte de suas panelinhas ridículas.

Não entenda errado, sou favorável a placa preta e que se respeite rigorosamente a legislação que rege a mesma.

Mas, não é o que vemos nas ruas, onde muitos carros supostamente originais ostentam a placa preta, mesmo com ridículos ítens que seriam caso de exclusão imediata durante uma avaliação séria.

A culpa é de quem?

Primeiro, do dono do carro, que está infringindo a lei modificando um automóvel que recebeu o benefício, muito mais do que um direito, de ser tratado de maneira diferenciada justamente por conservar ítens antigos, que definiam os automóveis de outras épocas.

Segundo, dos clubes filiados à FBVA que permitem tais modificações, realizando vistorias mediante o pagamento das taxas necessárias, visando apenas aumentar seu fluxo de caixa.
Se os clubes, unidos, optassem por realizar a vistoria anualmente, o malandro proprietário teria muito mais dificuldades em conseguir a renovação do benefício.
Haja saco pra tirar um motor preparado e colocar o original de volta, trocar o jogo de rodas aro 20 importadas pelas originais de 5 polegadas e pneus diagonais,  etc.

Existem proprietários e clubes sérios, que jamais fariam ou admitiriam tais engodos, mas, obviamente, existe aquela pequena parcela de “especialistas em soluções radicalmente ligeiras e pouco ortodoxas”, vulgo picareta, que mancham o nome de tantas instituições sérias, comandadas por homens de bem.

Adoro carros antigos, tenho e tive alguns nesses poucos anos de vida, fiz amigos, conheci lugares e me diverti muito.

Conheço a fundo alguns modelos, seus ítens de série ou opcionais, conheço tabelas de cores pelo nome, etc.

Se algum dia você me vir colocando o dedo no carro dos outros, original ou modificado, para apontar esses detalhes de maneira desagradável ou agressiva, pode chamar minha atenção.

Mas adianto que vai ser difícil.

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Sobre lombardi13

Sobrevivendo a mim mesmo na Infernal São Paulo.
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Uma resposta para Zóio Largo.

  1. D.Pierotti disse:

    Parabéns. Belo texto.

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