Contramão.

São Paulo, sexta maior cidade do planeta, a maior e mais populosa cidade do Brasil,  da América do Sul e do hemisfério sul do mundo todinho. Décimo maior PIB do mundo civilizado inteirinho (mais de 12% do total do Brasil), Décima quarta cidade mais globalizada do planetão azul desse mundão de meu Deus.

Essas são algumas das características do município em que resido, que abriga uma diversidade cultural, religiosa, étnica, e tudo mais e bla bla bla.

Como diria um grande amigo, “é nas ruas!” que a coisa fica diferente.
As ruas, pra quem as conhece, não guardam segredos, mas regras e lições que devem ser aprendidas o quanto antes, em nome da sobrevivência.
Horários, locais, atitudes, tudo deve ser planejado meticulosamente.
Uma pequena falha, e tudo acaba.

A paz, o sossego, a vida.

Nessa cidade tudo tem um preço e ele é muito alto. Sua liberdade tem horário pré-determinado, limites bem definidos que não devem ser desafiados.

Viver na cidade de São Paulo vem se tornando cada vez mais difícil para mim, um apaixonado pelo caos dessa terra cinza e todas as suas outras pálidas cores.

Medo e indiferença fazem parte da rotina do paulistano, que, ou foge da realidade, ou se omite em percebê-la corretamente. Questão de sobrevivência, se a culpa não for sua ou você achar que não tem como resolver, apenas ignore.

Essa região é a mais perigosa entre todas as outras da cidade. A apatia que toma conta do cidadão, que aceita passivamente aquilo que lhe é imposto, seja sob o martelo pesado da lei, seja sob o manto roto da desigualdade social.

O paulistano, conhecido por sua malandragem comparada a uma pedra de gelo cheia de areia, nunca soube fazer outra coisa além de ser funcional e efetivo. Mais uma rodinha na “locomotiva do Brasil” que não pode parar. Voltas e voltas sem sair do lugar. Não importa qual a cor do boné do maquinista, deu bobeira na linha, a gente passa por cima.

Os outros estados devem se orgulhar da gente, invejar, até. Claro, aqui é a terra da oportunidade, da grana viva. Metrópole onde o trabalho tem seu valor reconhecido e a oportunidade está aí para todos igualmente. Cases de sucesso, empreendedores, visionários e outros tantos. Grana viva.

Aquele trânsito infernal que só um lugar com muita gente ocupada possui. Indo ao trabalho ou alguma outra ocupação igualmente importante, como correr no parque ou assaltar um banco. Gente fina sempre tem algo na agenda, pode dizer o viajante que só queria conhecer a cidade, mas seu anfitrião não pode lhe mostrar, pois, claro, sua agenda estava muito cheia, então um rápido passeio de carro pela noite do centro, as marginais, a ponte ridícula que não serve pra nada e o maior orgulho da casa, a pizza de queijo, devem ser o suficiente para o convidado se sentir muito bem apresentado ao contexto da megalópole.

Se resolver ficar, e der muita, mas muita sorte em sua estada, pode até aparecer na televisão, envolvido em um esquema qualquer de trabalho escravo e desumano que lhe tirou a liberdade e os direitos. Afinal, ele precisa se enquadrar no esquema de São Paulo. Achava que deveria ter regalias sobre nós, os malandros nativos? Claro que não.

Aqui é assim, não somos conduzidos. Conduzimos.

Anúncios

Sobre lombardi13

Sobrevivendo a mim mesmo na Infernal São Paulo.
Esse post foi publicado em Por aí e marcado , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s