Navalhão.

Faz algum tempo que os capacetes dos pilotos sofrem influência dos patrocinadores.
Antes imutáveis reflexos de uma carreira, hoje, só mais um espaço publicitário bobo.

A Red Bull e seus protegidos são os maiores exemplos, com o logo da empresa tomando conta do desenho. Cores e formas padronizadas em detrimento da personalidade, e, mesmo em diferentes esportes, seguem sempre o mesmo padrão.

Kovalainen espetou Angry Birds no casco, leva uma graninha e segue a vida. Todo mundo gosta do joguinho, então fica fácil relevar, certo?

Errado. Pelo menos pra mim.

Pior, sou publicitário de formação, talvez um traidor da raça, que despreza ações gananciosas sem respeito às tradições, mesmo que não as minhas.

Ignorar a realidade é outro ponto chave do ramo, onde só há gente branca, bonita e feliz nos comerciais de bebidas alcoólicas. Não tem um preto, um boteco sujo, um bebaço batendo na mulher nem um motorista atropelando ninguém.

Aí chegamos ao caso do post: Bruno Senna mudou as cores do seu capacete, uma releitura do atemporal casco de Ayrton Senna, seu tio, que Bruno sempre fez questão de enfatizar que não tem nada a ver com sua carreira, e que o sobrenome não criou facilidades para seguir o caminho da F1.
Mesmo que o sobrenome que deveria utilizar seja Lalli, não Senna.
Mesmo sem ter sido campeão de nada até chegar lá.
Mesmo tendo emprestado o carro ao piloto reserva da equipe esse ano todo no primeiro treino de cada corrida.
Mesmo assumindo que não tem vaga reservada pro ano que vem.

Diria o outro lá que: “ah, cara, uma grana alta, e até você faria, vai”.
Posso dizer que não faltaram oportunidades de jogar esse jogo, mas preferi não.

Ainda diria ao outro que a única coisa que não tive nessa vida foi justamente a tal da grana, justamente por não colocá-la na frente daquilo que eu acredito.
Daquilo que eu sou.

Talvez por isso a dureza me acompanha há tanto tempo, que aprendi a conviver com ela, colocando valor nas coisas que acho certas.

Quem duvidar, que pague pra ver.

 

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Sobre lombardi13

Sobrevivendo a mim mesmo na Infernal São Paulo.
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